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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Algumas considerações sobre o Skin Picking

Olá pessoas,

Recebi alguns comentários no post sobre skin picking ( pode ser lido aqui) e achei importante conversar mais sobre isso.

O skin picking também é conhecido como escoriação neurótica ou dermatilomania.

A primeira vez que vi o termo skin picking foi quando decidi fazer uma busca no google sobre os meus problemas de coceira, pois nenhum dermatologista dava jeito nela. Descobri que eu tinha vários sintomas do skin picking, além da coceira, como puxar a pele da cutícula, cutucar cravos e espinhas, procurar e cutucar pelos encravados, etc.

O meu hábito de puxar a pele é antigo... desde criança eu puxo a cutícula, principalmente dos dedões das mãos. Se estou concentrada então, o dedão fica em pele viva. De alguma forma o meu cérebro entende que puxar a pele facilita a concentração e acalma. E é difícil quebrar esse hábito, companheiro de tantos anos...

Além de puxar a cutícula, eu me coço muito, principalmente quando estou nervosa...

Percebi que não adianta apenas evitar o hábito: é necessário entender o porquê faço isso e atacar a raiz do problema.

Quando fiz terapia entendi algumas coisas... comecei a olhar alguns problemas de outras formas e isso me fez diminuir o ato de coçar. Eu não consegui parar de me coçar e cutucar, mas quando consegui controlar o estresse, os episódios  de coçar e cutucar diminuíram.

Por isso digo que a terapia é importante, pois ela nos ajuda a elaborar os sentimentos, refletir e digerir certas emoções... assim a gente não desconta tanto na pele.

Hoje estou melhor... as marcas no corpo continuam... mas eu tento não ligar.

Bem... outra hora passo aqui para falar mais sobre isso!

Comentem! Podemos trocar experiências!

Abraços!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Notícias e coceira

Olá pessoal,

Faz um tempo que não tenho escrito sobre a terapia e sobre o skin picking. A minha vida deu uma reviravolta no final de ano e acabei pulando algumas sessões de terapia com o Dr. Rômulo. Voltei ao consultório e o doutor acha que estou bem. Parei com a medicação (antidepressivo e ansiolítico) e tenho me sentido bem. Conversamos bastante e  cheguei a conclusão que quero mudar de emprego. Eu gosto daqui, mas financeiramente... acho que mereço ganhar mais! O Dr. Rômulo sugeriu que eu procurasse um Head Hunter, uma espécie de caçador de talentos, que poderia ajudar na minha recolocação no mercado de trabalho. Também cogito a idéia de procurar um coaching, que seria um profissional que me ajudaria a pensar na minha carreira como um todo. Bem,  ainda vou amadurecer esta idéia.

Quanto às coceiras... estava diminuindo, mas com esse calor.... voltei a ter feridinhas nos braços, pernas e costas. estou me policiando para coçar menos. Mas não adianta. Sempre me pego coçando e quando olho já estou sangrando, um horror! Se não estou coçando, estou puxando a pele do lábio inferior (quando percebo que o lábio está ressecado, começo a puxar a pele, aí já viu: começa a sangrar!). Também tenho cutucado mais o meu rosto, atrás de espinhas e cravos. Fora as minhas mãos, que estão um horror, pois também fico cutucando as cutículas (não posso ficar sem ir à manicure, senão...).  Então tenho que adotar uma tática de guerrilha:  passo pomada nas feridas da pele e tento deixar o corpo hidratado; não fico muito tempo no espelho analisando o rosto e sempre tenho um balm para os lábios na bolsa, pois toda vez que sinto vontade de mexer nos lábios, passo o balm.

O mais estranho de tudo isso é que na hora em que estou me mutilando sinto um alívio, chega até ser gostoso, mas depois... fico extremamente chateada comigo! Olho as marcas e me odeio. Também tem o Alê, que me vê coçando e já vem com bronca e isso me irrita. Eu sei que só quer o meu bem, mas eu fico muito irritada!

Sei que tudo isso é emocional.... estou chateada com algumas coisas no trabalho, por isso a minha louca vontade de mudar de emprego. Mas preciso segurar a onda!

Bem, por enquanto é isso!
Até mais!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mudar - tentar ser mais feliz!

Olá pessoal,

Depois de um período deprê total, comecei a racionalizar algumas coisas da minha vida e acho que preciso "chutar o balde" e me dar a oportunidade ficar feliz com coisas simples da vida.
Na quinta-feira passada jantei uma pizza bacana com as minhas queridas amigas da época da pós-graduação: a Alê, a Rafa e a Téa. Foi super divertido, botamos a fofoca em dia e a Alê aproveitou o encontrinho para entregar os convites de casamento dela. Lindão, aliás! A festa está marcada para setembro!
Não sei se já contei, mas às vezes me aventuro como atriz aqui no trabalho. Sempre que tem uma oportunidade, lá estou eu em cima do palco, sempre na companhia do meu querido Marcello, que é ator profissional e sempre traz os textos que encenamos. Agora em setembro a USP promove a Semana de Arte e Cultura, onde funcionários e alunos podem expor seus talentos. Para este ano, escrevi um texto e chamei o Marcello para atuar e dirigir. Na semana que passou, fizemos um "brainstorm". Morri de rir! Foi super divertido, mudamos umas coisas no texto, tivemos algumas idéias para o cenário! Adorei!
No final de semana me permiti dormir até mais tarde e fiquei um bom tempo com as minhas gatosas! Elas me deixam tão feliz!
Estou precisando de uma postura mais positiva na minha vida! Rir mais, conversar mais, estar mais com meus amigos!
Para ilustrar, segue um vídeo das minhas lindonas:


Beijos!


PS: Para boas risadas, recomendo: www.galofrito.com.br - me rachei de rir com a Pathy que te pariu! Também recomendo os vídeos do Hermes e Renato que estão a disposição no www.youtube.com. Para os mais conservadores: Pica-Pau!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Depois da terapia

Oi pessoal,

Tive uma semana difícil: fiquei com infecção urinária e ainda descobri que estou com uma ferida no colo do útero. Sabe aquela sensação que tudo acontece com você? Então, estou me sentindo assim.
Ontem fui ao terapeuta e conversamos sobre a minha dificuldade em dizer não, em me assumir e valorizar as minhas vontades e o meu ponto de vista. Percebi que criei uma personagem (que o Dr. Rômulo chama de Elvira, meu segundo nome) que quer ser sempre a certinha e que não gosta de desagradar ninguém. Só que agora a Elvira está me atrapalhando... me censura, me faz engolir seco certas situações e isso tudo gera a minha coceira, a minha ansiedade e irritação.
Segundo o Dr. Rômulo, criei a Elvira para me proteger/fugir de situações que eram complicadas para mim, principalmente na minha infância e adolescência. Hoje a Marcela quer aparecer, se assumir, mas a Elvira não deixa. O Doutor me disse que preciso tentar não ouvir esse meu lado censurador, deixar de engolir "sapos" e priorizar os meus sentimentos e vontades. Só assim eu vou deixar de me coçar, de me martirizar.
Mas sabe que isso é difícil? A Elvira faz parte do meu eu e sem ela me sinto perdida. Assim, fiz um acordo comigo mesma: quero mudar de atitude diante de algumas situações. Quero ser prioridade para mim mesma.
Papo de maluco, né?

Beijos!

PS1: Pode parecer, mas eu não sou esquizóide nem tenho dupla personalidade. Dividir meus sentimentos foi uma forma de análise.
PS2: Mudando de Pato para Ganso: gostei de ver a seleção brasileira jogar ontem! :) Tinha uma pitada de Santos...

domingo, 8 de agosto de 2010

Um pouco de tudo hoje!

Olá pessoal,

Hoje foi um dia estranho... tomei banho pela manhã e ao me olhar no espelho eu me odiei! Por quê? O meu corpo está horrível, cheio de marcas, por causa da minha mania de coçar. Estou SEIS quilos mais gorda, por causa da minha gula! Estou feia! E sabe o que é pior: eu mesma sou a culpada por tudo isso. Eu não consigo deixar de me coçar. Fico enchendo a cara de chocolates e mais e mais tranqueiras...
Estou triste. A imagem que vi no espelho hoje não é a que eu via há algum tempo atrás. Porque eu não consegui me controlar? Porque eu tenho que passar por isso? Ai que droga de cérebro, que comanda esse corpo, que me deixa assim.
Hoje eu não queria ser eu. Hoje o meu eu está de saco cheio de tudo. De ter que assumir papéis sociais, de suportar certas coisas, de não dizer não e sempre amém a tudo e a todos.
Quero o meu corpo de volta... quero de volta o meu bom humor.
Desabafo aqui. E mesmo assim não consegui colocar tudo que sinto.
E os psicotrópicos não estão ajudando, nem os cremes, nem o monte de remédios que estou tomando!
Que droga!
O que eu fiz de errado até agora?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um pouco de tristeza

Oi gente,

Ultimamente tenho me sentido triste. Não sei explicar o motivo, só sei dizer que me sinto triste e mais chateada, principalmente com as minhas marcas na pele por causa da coceira. Ando me sentido feia e idiota!
Olho para trás e vejo que eu era mais animada, disposta e alegre. O que há de errado comigo?!?
O Dr. Rômulo, na última consulta, disse que isso é normal, pois estou numa fase de mudanças. Estou tentando me encontrar, sabe? E ele disse que se encontrar de verdade é doído. Estou abrindo o meu porão e o que há lá dentro me deixa triste. Estou tentando tirar a minha máscara e me assumir, mas a máscara grudou.
Trilha Sonora para este momento? Sim:

Welcome Home (Sanitarium)

Metallica

Welcome to where time stands still
No one leaves and no one will
Moon is full, never seems to change
Just labeled mentally deranged
Dream the same thing every night
I see our freedom in my sight
No locked doors, no windows barred
No things to make my brain seem scarred

Sleep, my friend, and you will see
That dream is my reality
They keep me locked up in this cage
Can't they see it's why my brain says “rage”

Sanitarium, leave me be
Sanitarium, just leave me alone

Build my fear of what's out there
Cannot breathe the open air
Whisper things into my brain
Assuring me that I'm insane
They think our heads are in their hands
But violent use brings violent plans
Keep him tied, it makes him well
He's getting better, can't you tell?

No more can they keep us in
Listen, damn it, we will win
They see it right, they see it well
But they think this saves us from our hell

Sanitarium, leave me be
Sanitarium, just leave me alone
Sanitarium, just leave me alone

Fear of living on
Natives getting restless now
Mutiny in the air
Got some death to do
Mirror stares back hard
Kill, it's such a friendly word
Seems the only way
For reaching out again

Até outra hora!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Skin Picking

Olá pessoal,

Agora a pouco achei um site que fala um pouco mais sobre Skin Picking, que pode também ser chamada de escoriação neurótica. Quando comecei com as crises de coceira, a dermatologista me diagnosticou desta forma.
Gostei dos esclarecimentos do Dr. Rubens Pitliuk, do Mental Help, pois é difícil achar material na net sobre esse assunto.
No meu caso, estou tratando as minhas coceiras de várias formas: com o psiquiatra (uso de medicamentos para ansiedade), psicoterapia e com o dermatologista, que me ajuda com medicação de uso tópico, para a cicatrização das feridas que faço. também estou tentando manter as unhas bem curtas e ficar atenta para o ato de coçar: se começo, tento fazer outra coisa para parar.
Como sei que é um assunto pouco explorado, vou reproduzir os esclarecimentos do site: http://www.mentalhelp.com/skin_picking.htm
Entender o que acontece comigo me ajuda a tentar parar de me coçar!
Beijos a todos!


Picking ou Conduta Auto-Lesiva ou Escoriação Neurótica é caracterizado por uma repetição crônica de:
  • Tocar
  • Coçar
  • Cutucar
  • Arranhar
  • Furar
  • Escoriar
determinadas regiões da pele, de modo tão intensivo ou repetitivo que acaba provocando o aparecimento de feridas cicatrizes, descolorações na pele.
O Picking pode ser uma doença isolada, mas ele pode ser um sintoma de outras doenças, como por exemplo:
Quando o Picking faz parte de uma dessas doenças, o tratamento delas está em primeiro plano.
Desenvolvimento do Picking:
Geralmente começa com uma ferida na pele, que a pessoa coça, aí coça de novo, acaba não deixando cicatrizar. 
Com o tempo começa a ter uma sensação localizada de coceira ou de necessidade de se cutucar. Aos poucos começa a sentir que em determinadas situações mais ansiosas ou estressadas da vida essas coceiras ou escoriações passam a ser uma válvula de escape para as tensões. O Picking costuma se manifestar quando a pessoa está ansiosa, quando está se sentindo com monotonia e para muitas pessoas traz uma sensação de prazer. Justamente isso faz com que ele nunca passe e acabe produzindo lesões visíveis de pele.
É comum pessoas portadoras de Picking ou Conduta Auto-Lesiva ou Escoriação Neurótica usarem roupas fechadas e mangas compridas mesmo no calor.
Tratamento
Quando o Picking é um sintoma de outra doença, esta doença deve ser tratada de modo apropriado e ele deve passar. Quando o Picking é um sintoma isolado, um conjunto de tratamentos pode ajudar:
  • Terapia Cognitivo - Comportamental (TCC), que é uma forma de Psicoterapia bem diferente da psicanálise. Na página Tricotilomania existe uma descrição da TCC.
  • Medicação: não se sabe muito bem como ela ajuda, mas o fato é que ajuda. Em geral se usa neurolépticos e/ou antidepressivos.
  • O uso de luvas finas (tipo luvas de golfe) ou de esparadrapo (Micropor) nas pontas dos dedos também pode ajudar. Quando a pessoa consegue se cutucar, ela está perpetuando o Picking, quando ela não consegue (porque as pontas dos dedos estão cobertas), ela começa a se descondicionar desse comportamento. É o mesmo que ocorre no tratamento do Distúrbio Obsessivo Compulsivo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quem sou eu?

Oi gente!

Ontem fui a mais uma das minhas sessões de psicoterapia. Toda vez que termina a sessão, eu tenho a sensação que estou descobrindo coisas sobre mim e isso me assusta. Me sinto como um vaso quebrado, que aos poucos está sendo colado.
O Dr. Rômulo me perguntou quem sou eu. E eu não soube responder! Eu nunca parei para pensar em quem sou realmente. Sou a Marcela que ajuda a mãe doente; que sempre resolve os problemas da família; aquela que cuida do marido, deixa a casa arrumada e o jantar pronto. Sou também aquela que faz todos os amigos na hora do almoço morrerem de rir, mas que no fundo é triste. Destas faces, quem sou eu? Levo a vida como uma personagem e a atriz sempre fica escondida?
A verdade é que não consigo me assumir plenamente. Não consigo impor os meu desejos e vivo a vida sempre cedendo, sempre fazendo a vontade dos outros. E eu?
Lembrei de um verso de Florbela Espanca:

"Eu sou a que no mundo anda perdida..."

E quando vou me achar? Quando vou me colocar em primeiro lugar na minha vida?
Espero que a terapia me ajude a responder essas lacunas... e também a parar de me coçar!

PS1: Fui ao dermatologista e trocaram parte da medicação, a coceira melhorou bastante, mas ainda sinto vontade de me coçar... acho que isso só vai melhorar quando eu souber administrar a minha ansiedade.
PS2: As gatosas estão bem... de dia elas ficam soltas pela apartamento e por enquanto não destruiram nada. Todo dia de manhã o Alê quer que eu as deixem trancadas na cozinha/área de serviço, mas sempre digo que é crueldade! Espero que elas continuem se comportando!

Beijos

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ainda naquela história de satisfação

Oi gente!

Fui a terapia semana passada e ainda estamos discutindo a questão de satisfação. Sinto que a minha ainda está ligada a um consumismo, ou seja, tento me satisfazer através do que posso comprar. Não sou irresponsável ao ponto de gastar mais do que ganho, mas tenho exagerado nas comprinhas... e detectei que depois que me satisfaço, sinto culpa. O Dr. Rômulo disse que preciso refletir mais sobre isso... não preciso sentir culpa por ter comprado uma camiseta. Mas sinto. É um ciclo: vejo algo que me interessa, avalio o valor, se for interessante compro. Fico feliz! Quero usar o que comprei. Depois sinto culpa.
Tenho isso com outras coisas: hoje eu perdi a hora (eu cochilo a tarde, sério) e não fui à aula de inglês. Como estava em casa, fiquei assistindo o jogo entre México e França e fiquei muito satisfeita. Agora, bateu uma baita culpa por ter faltado. Eu nunca falto, sempre estou lá, então a de hoje é perdoável, não?!
Acho que sempre fico pensando no que os outros vão pensar de mim. Inconscientemente me preocupo com a opinião alheia, com o julgo dos outros, por isso não me permito.
Outra coisa que detectei é que coloco a satisfação dos outros na frente da minha. Sempre quero ver os outros satisfeitos, mesmo que seja ao custo do meu bem estar. Sempre resolvo os problemas da minha família, quero que eles fiquem bem, sem preocupações. E eu? Quem se preocupa comigo?
O Dr. Rômulo me disse que essa culpa que sinto é relacionada ao fato de eu ligar o ato de me satisfazer com inconsequência. Na minha cabecinha oca, me satisfazer é um ato inconsequente, irresponsável. Preciso resolver isso.
Um exemplo: sempre tive vontade de ter aquele brinquedo chamado super massa, sabe? Comprei um para a minha sobrinha, mas não me permiti comprar um pra mim e brincar simplesmente... acho que teria vergonha de brincar com ele, já que sou adulta. Mas, porque não me permitir um pouquinho?!?
Então acho que satisfação para mim está ligada a ser mais liberal comigo mesma. Não estou falando na questão do consumismo, mas sim nos atos. Me permitir dizer não em algumas situações, por exemplo.
A terapia tem sido boa, pois é um momento de olhar para dentro de mim. Como disse antes, escrever aqui também... é o meu momento de reflexão.
Quero aproveitar e agradecer aos amigos que leem e comentam. Os comentários me ajudam neste processo.
Obrigada!!!
Beijos e até o próximo encontro "cabeça".
PS1: Vinícius - saudades de ti. Amigos são fonte de satisfação!!
PS2: Não tenho falado muito da minha mãe. Ela está bem, se recuperando a cada dia. Semana passada já estava badalando pela Fashion Week com seu grande amigo Edson. Acho isso muito bom. Os amigos dela estão dando a maior força: para ela e indiretamente para mim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O que te satisfaz?

Oi pessoal,

Já contei pra vocês que estou fazendo terapia...na última sessão o Dr. Rômulo me perguntou o que me satisfazia ultimamente... sabe que na hora eu não soube dizer?! Ao perguntar então, o que não me satisfazia, também fiquei sem resposta. Depois parei para refletir sobre isso...
A nossa vida é tão corrida, tão cheia de prazos, contas a pagar, coisas para entregar e fazer, o tempo parece que voa. E não dá tempo de pensar em si! Eu não consegui responder ao Dr. Rômulo porque nunca parei para pensar em mim, olhar para mim... olha a loucura!
Depois de pensar um pouco percebi as coisas que hoje em dia me satisfazem: fazer compras (a 25 de março, o Brás e a Liberdade são locais de terapia grupal gente!), maquiagem, estar e cuidar da minha casinha, estar com amigos queridos e principalmente estar com o Alê. Parece simples, mas a correria é tanta que nem notamos estes momentos, nem percebemos o quanto eles são importantes para a nossa saúde mental. Daí para a outra pergunta, sobre o que me deixa insatisfeita é um pulo: é não fazer o que gosto e me satisfaz. (A parte mais complicada desta resposta eu vou deixar para a próxima sessão de análise com o Dr. Rômulo!)
Bem, quero me perceber mais, dar mais valor ao meu tempo e a forma como eu o uso. Não quero desperdiçá-lo com coisas que não me fazem bem, como ficar me corroendo por dentro por causa de um erro, ficar me coçando, sentindo culpa, etc. Coisas chatas sempre terão que ser feitas, mas o que quero mesmo é dar valor aos bons momentos. Que eles não passem despercebidos!
Estar bem mentalmente parece fácil, mas não é... engloba vários fatores e um deles é a mudança de hábitos e atitudes. Espero conseguir mudar e ao mesmo tempo ser eu mesma. Será que consigo?!?
Beijos

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Skin Picker


Oi pessoal,

Como contei em outro post, estou fazendo um tratamento com um psicoterapeuta. Eu era relutante em fazer esse tipo de tratamento, ainda mais porque o meu psicoterapeuta é também psiquiatra. No fundo, no fundo, sempre achei que psiquiatra era coisa de louco. Percebi que não. O Dr. Rômulo tem me ajudado muito a ver certas coisas que eu simplesmente não notava. Na verdade, eu não estava olhando para dentro de mim!
Todos nós temos um sótão, um quartinho escuro dentro de nossa mente e é para lá que mandamos certas coisas que nos incomodam. O problema é quando o sótão fica cheio... e o meu ficou assim! E o Dr. Rômulo está me ajudando a abrir a porta deste quartinho e tirar as coisas de lá!
Confesso que comecei a pensar em procurar um psiquiatra depois que desenvolvi uma coceira louca pelo corpo, principalmente pelas pernas, braços e costas (nunca no rosto ou peito). Fui a alguns dermatologistas e alergologistas que não encontraram a causa, até uma delas me sugerir que isso poderia ser emocional.
Comecei a procurar pela internet (além de procurar o psiquiatra, é claro) e vi que algumas pessoas sofrem de sintomas parecidos com os meus. Alguns se coçam, outros têm mania de cutucar a pele, mas o princípio é sempre o de se mutilar, machucar sem perceber na hora.
Eu tenho me coçado muito ultimamente. Reparei que a situação piora quando fico mais tensa, preocupada ou estressada. Nessa última internação da minha mãe, a coceira dobrou!
Mas sabe o que é pior: na hora que sinto vontade de coçar, tento me controlar e não consigo. Quando coço sinto um alívio que chega até ser um prazer, mas depois... quando vejo as minhas unhas cheias de sangue e as marcas no meu corpo (que está horrível) vêm uma puta de uma culpa, uma sensação horrível. Às vezes acho que isso nunca terá solução e fico extremamente chateada.
Outra coisa que é horrível: sair de saia. Sempre tem alguém que não se aguenta e vem perguntar o que aconteceu comigo, se eu estou com catapora, se foi bicho que mordeu... isso só piora a minha culpa. Me acho incompetente por não conseguir parar de coçar!
Tenho dormido de luvas (é sério) para ver se o dano fica menor, mas hoje me peguei sem luvas, na maior coçação no meio da madrugada! Sério... eu preciso de algo para me ajudar.
O Dr. Rômulo me passou uma medicação para diminuir a ansiedade, mas ainda não ajudou na coceira. A psicoterapia tem sido boa e eu espero tirar do meu quartinho escuro tudo que me causa essa coceira!
E ainda vou a dermatologista nessa semana, para ver se ela me ajuda!!! Ai ai que coceira!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um pouco sobre minha mãe - Bipolaridade


Olá Pessoal,

Hoje eu fiquei com vontade de falar um pouco sobre a minha mãe. Desde que nasci sei que ela tem transtorno afetivo bipolar - TAB. O TAB caracteriza-se por oscilações de humor, onde o paciente varia de forma cíclica entre estados depressivos e maníacos (que eu prefiro chamar de agitados). Quando tratada, a pessoa entra em equilíbrio e leva uma vida extremamente normal.  Desde pequena lembro-me dessas oscilações da minha mãe: tinha época que ela era muito animada, cheia de energia e otimismo e em outras ela ficava pessimista, chateada e sem ânimo. Contam-me que a primeira crise dela aconteceu quando ela engravidou de mim. Neste primeiro episódio ela ficou internada em um sanatório (que não existe mais graças a luta antimanicomial), em tratamento intensivo para sair do surto. Sempre penso que estar com ela naquele primeiro momento da minha vida pode ter causado algo em mim, não físico, pois nasci prematura e perfeita. Algo mais espiritual, sei lá...
Após isso, ela começou um tratamento ambulatorial e voltou ao seu equilíbrio, podendo assumir seu papel de mãe e esposa recém-casada. A medicação sempre a deixou sob controle, levando uma vida normal.
Durante muitos anos essas variações de humor sempre foram sutis, às vezes uma depressão um pouco mais forte. Lembro-me de um episódio, que na fase depressiva, ela não tinha vontade nem de tomar banho e nessa época eu já tinha a minha irmã, que ficava sob minha responsabilidade (ela é cinco anos mais nova do que eu). Para agravar o quadro, meu pai foi ausente fisicamente por alguns anos, pois foi trabalhar no Japão. Sempre falei pouco sobre isso, mas nesse período me senti extremamente sobrecarregada: eu fazia o papel de mãe da casa. Até hoje eu quero cuidar de toda a família!
Em 1999 a minha mãe teve outra crise e foi internada novamente. Desta vez tivemos a sorte de encontrar o Centro de Tratamento Bezerra de Menezes (CTBM), que cuida de pacientes com transtornos mentais e dependência química de uma forma muito mais humana que os antigos manicômios. Novamente foi uma fase difícil... é muito ruim ver o ser que te gerou e cuidou de você nesta situação: dopada, drogada, com o raciocínio lento...
Um dos problemas da minha mãe é que, apesar de fazer o tratamento necessário, quando ela se sente melhor, ela para de tomar a medicação! E pode até demorar, mas o surto vem!
Este ano ela surtou outra vez! Novamente ela foi internada no CTBM. Não sei porquê, mas esta foi a vez mais difícil para mim. Sofri muito em vê-la frágil e dopada. Acho que eu sinto culpa, por não ter cuidado dela direito, de não ter forçado a voltar ao psiquiatra quando parou os remédios, de não estar tão perto...
Nesta internação ela foi submetida a uma equipe multidisciplinar, composta pelo psiquiatra, psicóloga, nutricionista e terapeutas ocupacionais, além de uma equipe de enfermagem extremamente competente. Além disso, o CTBM implantou o Programa de Família, onde toda sexta-feira durante a internação um familiar, além de fazer a visita ao paciente tinha a possibilidade de uma reunião em grupo com o psiquiatra e o psicólogo responsável pelo tratamento.
Nessas reuniões tive contato com outros familiares, que passam pelo mesmo que eu e minha família. Também pude aprender com a equipe um pouco mais sobre a doença da minha mãe e também como agir com ela! Sabe, isso tudo me fez sentir menos sozinha no mundo, me confortou num momento tão complicado.
Minha mãe ficou internada por 30 dias e hoje ela está de alta, em casa, fazendo seu tratamento. O que eu mais quero é que ela encontre novamente o equilíbrio e volte a ser a minha mãe, porque eu ando cansada de ser mãe dela!
Esse blog, acho que já falei, também é um espaço para um desabafo, uma forma de refletir sobre os acontecimentos enquanto escrevo. Percebo que amo demais a minha família e a minha mãe, mas preciso consertar algumas coisas em nosso relacionamento. Assumo que tenho mágoa por algumas coisas. Assumo também que ainda tenho vergonha do problema dela (muita gente acha que ela é louca,não tem noção que a doença mental não se resume na loucura ), e mais: assumo que tenho medo de ficar igual a ela, de perder o controle sobre a minha mente (o Dr. Rômulo  diz que o bipolar em crise vira uma espécie de mula sem cabeça, não consegue lidar com os sentimentos).
A pouco tempo comecei um tratamento psicológico, pois percebi que preciso cuidar de mim e a aprender a lidar com um monte de coisas que tenho guardadas no porão escuro da minha mente. Espero que dê certo!
Só poderei ajudar a minha mãe se eu estiver bem, caso contrário ficaremos as duas, "loucas".

PS: Quero muito, mas muito mesmo agradecer ao meu querido esposo, o Alê, por todo suporte durante esses mais de trinta dias. Pelo amor, carinho, compreensão e amizade, desde sempre!